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A natureza científica dos trabalhos monográficos

 No dizer de Amato (2006, p. 181) a “monografia é o documento resultante de um estudo minucioso que deve esgotar determinado tema específico e limitado. Trata-se de trabalho em profundidade e não em extensão.” O autor pesquisa um assunto preestabelecido, consultando a literatura, aprofundando-se e adquirindo conhecimento suficiente para discorrer sobre um único tema. É necessário que o autor apresente sua contribuição pessoal, ou seja, “confronte as convergências, procure entender as divergências e faça inferências sobre as diferenças, tomando posição, justificando-se e fazendo contribuições reflexivas” (MORAES; AMATO, 2006, p.181).   A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio de sua NBR 14724, de 30 de dezembro de 2005, normalizou e estabeleceu os princípios gerais para a elaboração de trabalhos acadêmicos, na forma de monografia, seja para a graduação, a especialização, o mestrado ou o doutorado. A disposição dos elementos da monografia está apresentada no Quadro 2.2, a qual deve ser utilizada obrigatoriamente por todas as instituições de ensino superior do País (MATTAR, 2008). 

Cabe ao estudante, quando estiver no momento de escrever a sua “monografia”, consultar a norma da ABNT aplicável (NBR 14724.), bem como a norma publicada pela instituição onde faz o seu curso, para conhecer os detalhes e as adaptações feitas às Normas da ABNT. É desejável ainda que o aluno consulte outros trabalhos monográficos disponíveis na biblioteca da universidade/faculdade/instituição para servir de exemplificação.  Muitos estudantes e pesquisadores iniciantes têm dúvidas com relação à nomenclatura e ao escopo dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), Dissertações e Teses. Para esclarecer essas dúvidas, são apresentados, a seguir, textos da ABNT NBR 14724 de 2005, que definem bem o que é um trabalho acadêmico, uma dissertação e uma tese. 

1) Trabalhos Acadêmicos de graduação ou pós-graduação Lato sensu – Monografias similares (Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, Trabalho de Graduação Interdisciplinar – TGI, Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização e/ou Aperfeiçoamento e outros): “Documento que representa o resultado de estudo, devendo expressar conhecimento do assunto escolhido, que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina, módulo, estudo independente, curso, programa e outros ministrados. Deve ser feito sob a coordenação de um orientador.”  2) Trabalhos de pós-graduação Stricto sensu: Dissertação e Tese  Dissertação: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico retrospectivo, de tema único e bem delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar informações. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a ABNT NBR 14724 de 30/12/2005  27  capacidade de sistematização do candidato. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor), visando à obtenção do título de mestre.”.  Tese:  “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico de tema único e bem delimitado. Deve ser elaborado com base em investigação original, constituindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor) e visa à obtenção do título de doutor, ou similar.”  A tese deve revelar a capacidade do pesquisador em sistematizar o conhecimento, revelando a capacidade do doutorando em fornecer uma contribuição para a ciência, primando pela originalidade. Seu autor deve demonstrar capacidade de fazer avançar a área de estudo a que se dedica. É necessário que seja um trabalho de pesquisa original e se dedicar a descobertas ou contribuições consideradas significativas para a ciência (MICHEL, 2009). 

Etimologicamente, a palavra monografia, significa “escrever a respeito de um único assunto”. Já lhe foi apontada, como intenção inicial, ser um “relatório que objetivava esgotar a problemática de que tratava”. Entretanto, é preciso reconhecer como é pretensioso o propósito de “esgotar” um assunto. Assim, as monografias passaram a ser identificadas como relatos resultantes de investigações científicas.  Além disso, é importante frisar que uma monografia não é um conjunto de informações e dados coletados que são reunidos, rica ou mediocremente, em um texto novo. Nem é apenas um relatório. Trata-se de um documento único, organicamente elaborado, que contém o produto da reflexão do investigador sobre determinado assunto por ele pesquisado.  Para apresentar essa característica, a monografia precisa, além de ser precedida por uma boa pesquisa, ser redigida de maneira dissertativa. Esta forma de redação baseia-se na lógica, o que permite a argumentação, que sustenta o ponto de vista do autor. É a técnica dissertativa que permite que a monografia seja redigida segundo a maneira mais adequada aos propósitos da pesquisa que a precedeu. Essas técnicas, que se baseiam na reflexão do autor, na apresentação de argumentações, de provas coletadas, de comparações, de dados novos e consistentes, aliadas à “estrutura” de um texto que facilita a apresentação de raciocínios do começo ao fim, vão formar o arcabouço de um texto especial, que é a monografia. Todas as informações coletadas subsidiarão o trabalho do autor de redigir um texto em torno do assunto em estudo. Esta pesquisa busca alguma solução ou melhorias para problemas reais, ou ainda algum subsídio para que aquelas que já tenham sido encontradas sejam reformuladas em consonância com as novas situações que a realidade apresenta. As monografias desafiam a criatividade, a disciplina, o estudo do pesquisador para reelaborar e aprofundar os conhecimentos de um determinado ramo do saber. 

As monografias devem ser feitas de acordo com esses modelos tecnicamente organizados para que possam servir de base a outros estudos e que possam participar da produção do conhecimento científico e tecnológico do País. Segundo Inácio Filho (1995, p.131), “uma nação só produz ciência forte se ela educar suas gerações mais  28  jovens para prosseguir o trabalho das mais velhas. Trabalho que deve ter continuidade, sem esquecermos que inovação e tradição, dialeticamente, caminham juntas, pois o movimento é produzido pela tensão entre elas.”. 

Disponível em: http://mtc-m16d.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m19/2011/12.12.11.52/doc/publicacao.pdf

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